
Avassalador
o amor?
Avassalador
é o céu direito depois da despedida
a compostura do céu
e o vento abrindo-se.
A dilatação das asas
e o rigor das plumas no rigor da tarde
o rebentar dessa escuridão
entre a minha pele e os teus longos astros.
Avassalador
é o fruto que ficou na boca
inimastigável.
A substituição daqueles dedos de uva
por estes dedos de ave
sem grainhas
humanos demais.
Avassalador
é o cadáver vegetal
o arvoredo
a pender dos seios.
Avassalador sim
avassalador como a neve desatando-se
como gomos enrijecidos desenfreados
brancos de doer
brancos de estar
à sombra de nós.
Foto Hugo Joel / Texto C. Nunes de Almeida